Terça-feira, Abril 29, 2008

Discos preferidos de sempre: Apetite pela destruição - Guns n'Roses


Este Appetite for Destruction tornou-se-me tão avassaladoramente importante que até fui confirmar, com buscas no google, se já não tinha escrito um post sobre ele. Não confirmei, o google diz que não, mas acho esquisito nunca ter falado dele. Descobri os Guns N'Roses muito recentemente, aí há coisa de 5 anos, na fase heavy-metal (eu funciono por fases). Havia várias coisas que me repeliam de Guns N'Roses, porque na altura em que eles se extinguiram, andava eu mergulhado no grunge dos Nirvana que, de certa forma, foram os carrascos do heavy metal mainstream que vinha dos 80s. Kurt e Axel Rose até andaram à pancada nos bastidores de uma cena qualquer da MTV. Kurt Cobain, que era um tipo sensível, abominava o machismo do heavy-metal, personalizado nas letras hedonistas dos Guns e na figura misógina e homofóbica de Axel Rose. Eu próprio me identificava bastante mais com a postura grunge indie alternativa e os Guns eram mais a banda do pessoal das turmas de desporto da escola. Ok, o pessoal de desporto também ouvia o Nevermind 14 vezes ao dia. Mas hoje, à distância de mais de uma década, o que se passou foi que o Appetite for Destruction dos Guns envelheceu muito muito bem por variadíssimos motivos, e o Nevermind não. Os Guns foram uma super-banda em todos os aspectos e com eles morreu o toque excessivo e chocante que tanta graça dava ao rock e à pop. Hoje os modelos são politicamente correctos ou artificialmente excêntricos. Até os Arctic Monkeys (a melhor nova banda rock) são putos porreiros que partilham a música on-line e doam os prémios a caridade. Os Arcade Fire parecem uns okupas intelectuais que falam de paz e amor, contra a guerra etc. Os novos Vampire Weekend são uns betos que falam de telhados de mansões e cenas dessas betas. Os White Stripes são um gajo metrosexual porreiro e uma gaja com pinta que são como irmãos um para o outro. Acabou meus amigos, acabou a era do politicamente incorrecto em que o Axl Rose cantava coisas como "turn arround bitch I got a use for you" e as pessoas gostavam dele na mesma e queriam ser como ele. E nos concertos, parava a meio porque lhe cuspiam em cima, insultava o público que lhe respondia com "filho da puta filho da puta" entoado em coro (youtube) ou como, em 1991, em St. Louis, Axl consegue incendiar um estádio ao ponto de criar um motim que destruiu todo o palco e que teve de ser contido por polícia de choque(youtube). Isto é que era rock, percebem? Isto é que eram modelos para as crianças. Agora é mais os videojogos, porque o rock já deu o que tinha a dar. Agora é música para ouvir nos fones entre o emprego e casa, casa emprego. Agora, é a rebeldia latente que nunca foi. Aliás, o próprio Axl ficou maluquinho da cabeça. Não me refiro à depressão e isolamento nos meados de 90s, mas à ideia de fazer um dueto amoroso com Elton John (youtube). Paciência. Nenhum homem é de ferro, muito menos um homofóbico misógeno. Só tenho pena é pelo Slash, ali perdido no meio de um cenário apocalíptico MTV, lantejoula, bailarinas, público contratado e uma infecta orquestra de fundo, dirigida por um maestro figurante que me lembra o Yani. O solo dele soa tímido, desafinado e triste como um lamento de gato vadio. Não se lhe vêem os olhos porque provavelmente está num estado catatónico. A música acaba com alguém a passar as mãos pelo sintetizador Yamaha como se fosse uma demonstração das suas potencialidades numa loja num centro comercial. A lição a retirar disto é evidente. O discurso de Axl Rose sobre a sua família e os traumas, em 1992 (youtube), uma espécie de confissão sincera num palco de rock n'roll, marca o início do fim. Ali, aquela frase em que ele diz «para mim, ser estrela de rock já não me diz nada, já não me diz nada ver se consigo beber mais vodka que o outro ou consumir cocaína, tudo isso é vazio» etc. etc. como se estivesse na Oprah. É que o heavy-metal dos guns era precisamente isso. Nos últimos 10 anos trabalhou num álbum chamado Democratic China que aborda temas como a fome, a guerra, política etc esse tipo de coisas. Não me pronuncio quanto à música, só ouvi 2 faixas e eram surpreendentemente competentes. Só que não preciso do rock n'roll para me fazer sentir culpado ou consciente dos problemas do mundo. Não era essa a área de competência dos Guns N'Roses. O mundo está todo de pernas para o ar.

benvindo à Amadora


linha de sintra


Acresce que Slash é de longe o meu guitarrista modelo. O solo principal do Sweet Child of mine (o 2º solo na música) é, na minha imodesta opinião, o melhor solo de guitarra eléctrica jamais gravado.
querida criança minha

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