9 Perguntas, 9 Respostas sobre bicicletas em Lisboa
1- Lisboa pode ser uma cidade de bicicletas como Amesterdão?
Ninguém defende isso. É melhor olhar para exemplos como Londres, Tóquio, Paris ou Estocolmo, cidades onde todos os transportes fazem sentido dentro de determinadas circunstâncias.
2- Bicicletas em Lisboa, por quê?
Porque Lisboa tem vastas zonas que são facilmente cicláveis por qualquer principiante e é a 2ª cidade da europa com pior qualidade do ar. Em 2006, na Avenida da Liberdade, uma das principais artérias de Lisboa, houve 180 dias com má qualidade de ar. Entre todas as estações da área metropolitana de Lisboa/Norte foram registados 68 dias de forte poluição em 2005 – o pior valor dos últimos cinco anos. Portugal é o país da europa onda a utilização do automóvel é a mais intensiva. Quase 70% dos percursos têm menos de 6 quilómetros. Com a subida do preço dos combustíveis e a saturação automobilístico do espaço urbano de Lisboa, a bicicleta tem todas as razões racionais, economicas e ambientais, para ser mais utilizada.
O Conselho Económico e Social Europeu também recomendou que a utilização de velocípedes fosse integrada na política de transportes e de infra estruturas dos países da UE. Portugal é o país mas atrasado na implementação destas políticas.
3- Qual é a prioridade?
A prioridade seria o respeito pelos limites legais de velocidade nas zonas urbanas por motivos óbvios. 1/4 das vítimas mortais são peões. Os atropelamentos são frequentes em zonas como a Av. De Ceuta, a Av. Vasco da Gama ou a 24 de Julho, como eram à saída dos túneis na Av. Da República onde se instalaram muros de cimento e redes de arame, fazendo de Lisboa um cenário agreste e inóspito para os habitantes, trabalhadores e estudantes - e não apenas os ciclistas.
A segunda prioridade seria uma ligação de toda a zona ribeirinha por ciclovia, para aumentar a massa crítica de ciclistas em Lisboa.
A terceira seria prolongar a ciclovia do campo grande até à zona ribeirinha, talvez pela Av. Almirante Reis, que tem uma inclinação mais suave que a Av. da República e permite atingir um vasto "planalto" urbano.
5- Lisboa não é demasiado montanhosa?
Não faz sentido pensar na bicicleta como transporte único e para toda gente em qualquer circunstância. O mito de Amesterdão é utilizado sobretudo por quem é contra o uso das bicicletas, mas esquecem que Amesterdão não tem apenas a característica de ser plana, é também das cidades do mundo com mais espaços verdes e árvores no centro da cidade. A topografia acidentada de Lisboa restringe-se a zonas específicas. De Telheiras até ao Saldanha não há elevações, nem em numerosos eixos transversais. Só aqui ligam-se a maior parte das universidades de Lisboa e terminais de comboio, metro e autocarro. A zona ribeirinha do Tejo, que vai numa extensa faixa da Ponte Vasco da Gama até Cascais, não tem elevações.
6- Mas basta fazer ciclovias?
Não. As ciclovias são boas para a protecção dos ciclistas e peões, e para disciplinar o trânsito. Mas a maior parte das pessoas vive fora de Lisboa. É preciso criar parques de bicicletas nos terminais ferroviários e rodoviários que trazem pessoas da periferia e da margem sul e, também, junto dos pontos de partida nos concelhos da periferia. É comum pessoas não utilizarem o metro, comboio ou autocarro, porque a estação fica demasiado longe de casa para ir a pé. Posso citar o exemplo de Torres Vedras, cidade de onde partem milhares de pessoas diariamente para trabalhar em Lisboa e que dependem quase exclusivamente do automóvel, porque a própria cidade não tem rede de transportes urbanos para levar as pessoas para o terminal de autocarros rápidos. Outra hipótese é permitir que se transportem bicicletas no metro, nos comboios e barcos.
7 - Que conselho daria a quem quer experimentar usar a bicicleta como transporte diário?
Recomendaria estar em forma e confortável com a bicicleta, começando com uma utilização de lazer, sobretudo nas zonas ribeirinhas e em Lisboa ao fim de semana- isto para qualquer pessoa. Para alguém que queira usar a bicicleta diariamente, recomendaria estudar bem o percurso, com calma, num domingo de manhã, para testar se é plausível usar a bicicleta sem um esforço físico demasiado grande. Depois, é ir experimentando.
8- Que tipo de bicicleta é melhor?
Diria que a única coisa a evitar são pneus de todo o terreno, grossos e com rasto, pois têm uma resistência maior ao rolamento, assim como bicicletas com suspensão completa pois são menos eficientes em piso liso e são mais pesadas. De resto, a bicicleta ideal dependeria do percurso e das necessidades e dos gostos. Para mim, é algo como isto:

A bicicleta substitui os transportes públicos?
Não. A bicicleta e os transportes públicos e até o automóvel, devem complementar-se o mais possível porque a bicicleta não é solução única. Eu próprio utilizo o carro frequentemente. Não se defenderia utopias, apenas que o poder público facilitasse as escolhas racionais. O argumento económico, a perda de tempo no trânsito da cidade e a falta de estacionamento, são suficientes para uns. Para os outros casos é preciso uma costela aventureira e desportista, que nem todos têm, nem é exigível que tenham porque há hábitos de sedentarismo e sobretudo culturais - com a valorização do carro como símbolo estatuto social à cabeça - muito difíceis de mudar. Os jovens universitários são o ponto de partida, mas a bicileta não tem idades.
Mais informações:
http://www.massacriticapt.net/
http://www.aca-m.org/
Cidades Para Bicicletas, Cidades de futuro - Comissão Europeia
Ninguém defende isso. É melhor olhar para exemplos como Londres, Tóquio, Paris ou Estocolmo, cidades onde todos os transportes fazem sentido dentro de determinadas circunstâncias.
2- Bicicletas em Lisboa, por quê?
Porque Lisboa tem vastas zonas que são facilmente cicláveis por qualquer principiante e é a 2ª cidade da europa com pior qualidade do ar. Em 2006, na Avenida da Liberdade, uma das principais artérias de Lisboa, houve 180 dias com má qualidade de ar. Entre todas as estações da área metropolitana de Lisboa/Norte foram registados 68 dias de forte poluição em 2005 – o pior valor dos últimos cinco anos. Portugal é o país da europa onda a utilização do automóvel é a mais intensiva. Quase 70% dos percursos têm menos de 6 quilómetros. Com a subida do preço dos combustíveis e a saturação automobilístico do espaço urbano de Lisboa, a bicicleta tem todas as razões racionais, economicas e ambientais, para ser mais utilizada.
O Conselho Económico e Social Europeu também recomendou que a utilização de velocípedes fosse integrada na política de transportes e de infra estruturas dos países da UE. Portugal é o país mas atrasado na implementação destas políticas.
3- Qual é a prioridade?
A prioridade seria o respeito pelos limites legais de velocidade nas zonas urbanas por motivos óbvios. 1/4 das vítimas mortais são peões. Os atropelamentos são frequentes em zonas como a Av. De Ceuta, a Av. Vasco da Gama ou a 24 de Julho, como eram à saída dos túneis na Av. Da República onde se instalaram muros de cimento e redes de arame, fazendo de Lisboa um cenário agreste e inóspito para os habitantes, trabalhadores e estudantes - e não apenas os ciclistas.
A segunda prioridade seria uma ligação de toda a zona ribeirinha por ciclovia, para aumentar a massa crítica de ciclistas em Lisboa.
A terceira seria prolongar a ciclovia do campo grande até à zona ribeirinha, talvez pela Av. Almirante Reis, que tem uma inclinação mais suave que a Av. da República e permite atingir um vasto "planalto" urbano.
5- Lisboa não é demasiado montanhosa?
Não faz sentido pensar na bicicleta como transporte único e para toda gente em qualquer circunstância. O mito de Amesterdão é utilizado sobretudo por quem é contra o uso das bicicletas, mas esquecem que Amesterdão não tem apenas a característica de ser plana, é também das cidades do mundo com mais espaços verdes e árvores no centro da cidade. A topografia acidentada de Lisboa restringe-se a zonas específicas. De Telheiras até ao Saldanha não há elevações, nem em numerosos eixos transversais. Só aqui ligam-se a maior parte das universidades de Lisboa e terminais de comboio, metro e autocarro. A zona ribeirinha do Tejo, que vai numa extensa faixa da Ponte Vasco da Gama até Cascais, não tem elevações.
6- Mas basta fazer ciclovias?
Não. As ciclovias são boas para a protecção dos ciclistas e peões, e para disciplinar o trânsito. Mas a maior parte das pessoas vive fora de Lisboa. É preciso criar parques de bicicletas nos terminais ferroviários e rodoviários que trazem pessoas da periferia e da margem sul e, também, junto dos pontos de partida nos concelhos da periferia. É comum pessoas não utilizarem o metro, comboio ou autocarro, porque a estação fica demasiado longe de casa para ir a pé. Posso citar o exemplo de Torres Vedras, cidade de onde partem milhares de pessoas diariamente para trabalhar em Lisboa e que dependem quase exclusivamente do automóvel, porque a própria cidade não tem rede de transportes urbanos para levar as pessoas para o terminal de autocarros rápidos. Outra hipótese é permitir que se transportem bicicletas no metro, nos comboios e barcos.
7 - Que conselho daria a quem quer experimentar usar a bicicleta como transporte diário?
Recomendaria estar em forma e confortável com a bicicleta, começando com uma utilização de lazer, sobretudo nas zonas ribeirinhas e em Lisboa ao fim de semana- isto para qualquer pessoa. Para alguém que queira usar a bicicleta diariamente, recomendaria estudar bem o percurso, com calma, num domingo de manhã, para testar se é plausível usar a bicicleta sem um esforço físico demasiado grande. Depois, é ir experimentando.
8- Que tipo de bicicleta é melhor?
Diria que a única coisa a evitar são pneus de todo o terreno, grossos e com rasto, pois têm uma resistência maior ao rolamento, assim como bicicletas com suspensão completa pois são menos eficientes em piso liso e são mais pesadas. De resto, a bicicleta ideal dependeria do percurso e das necessidades e dos gostos. Para mim, é algo como isto:

A bicicleta substitui os transportes públicos?
Não. A bicicleta e os transportes públicos e até o automóvel, devem complementar-se o mais possível porque a bicicleta não é solução única. Eu próprio utilizo o carro frequentemente. Não se defenderia utopias, apenas que o poder público facilitasse as escolhas racionais. O argumento económico, a perda de tempo no trânsito da cidade e a falta de estacionamento, são suficientes para uns. Para os outros casos é preciso uma costela aventureira e desportista, que nem todos têm, nem é exigível que tenham porque há hábitos de sedentarismo e sobretudo culturais - com a valorização do carro como símbolo estatuto social à cabeça - muito difíceis de mudar. Os jovens universitários são o ponto de partida, mas a bicileta não tem idades.
Mais informações:
http://www.massacriticapt.net/
http://www.aca-m.org/
Cidades Para Bicicletas, Cidades de futuro - Comissão Europeia
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