Quarta-feira, Abril 15, 2009

E pronto, este blogue acabou e não vou fazer outro já ou nunca. É preciso outro problema agora. Vou continuar a escrever, por isso, quem eventualmente ficar chateado, pense assim, em vez de lerem coisas aos poucos, com sorte, lêem tudo de uma vez e algo melhor. Se calhar até faço um blogue anónimo e discreto daqui a uns meses para matar o bichinho. Se não fizer, mas vocês virem um blogue anónimo muito bom, por favor, suspeitem que sou eu. Não sei. Já ando nisto desde 2003, já acabei e recomecei blogues, mas aqui no nascer do sol ficaram os 2 anos e 11 meses da minha vida que mais cabelos brancos me deram. Vocês fizeram-me muita companhia! Obrigado e até breve, prometo.
Lourenço

Terça-feira, Abril 14, 2009

coisas que melhoram com o tempo


(refiro-me à música, não ao Michael Jackson...)

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Segunda-feira, Abril 13, 2009

Porque desapareceram as andorinhas?

Quando cheguei a Portugal e nos anos seguintes (1983) havia milhares de andorinhas na minha aldeia, na primavera. Carreiras, a 12km SW de Torres Vedras). Faziam os ninhos nos beirais das casas. Vizinhos meus partiam os ninhos com canas compridas indiferentes aos meus protestos. Mesmo assim, o facto dos rudes aldeões partirem os ninhos dos beirais das suas casas não pode explicar tudo, porque me parece que essa prática também já era antiga (desde que existem telhados de telha de barro, aposto). O que é certo é que as andorinhas desapareceram durante os anos 90, e eram em números enormes e ruidosos. Vê-las era um espectáculo impressionante.

Não consigo explicar porquê, mas aposto sobretudo no uso de insecticidas em massa na agricultura, o que pode ter dado cabo de insectos que elas comiam e também a diminuição substancial no número de mosquitos (havia mais suinicultura, menos saneamento, etc.). Não sei. Não percebo nada de ornitologia, mas estranho não ver nunca notícias ou artigos sobre este desaparecimento das andorinhas. Não acredito que o fenómeno da minha aldeia seja único. Irrita-me um bocado é ver o oposto, que é a conversa fiada de que com a primavera chegam as andorinhas e blah blah blah. PElo menos na minha aldeia, deixaram de chegar.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Philip Roth -The Dying Animal - (7/10)

Pronto Rita, pensei melhor nisto, merece um 7 em 10, é mesmo isso: competente. Tem aquele cheirinho a escritor profissional americano: últimas páginas forçadas feitas à pressa para acabar algo que nunca teria fim, profundamente focado num tema específico (aquela máxima profissional de que um livro se deve poder resumir numa frase), raciocínios que se repetem e repisam caso alguém não tenha percebido, uma escrita em que as frases "citáveis" são demasiado evidentes e forçadas (clever) e também, por último, por último, falta de amplitude.

é a sério ou é a gozar?

Não conhecia a música de Samuel Úria. A Sofia é enorme fã. Eu tenho um preconceito contra qualquer figura literária / musical masculina que eu não conheça e por quem a Sofia manifeste qualquer espécie de consideração ou admiração, especialmente dentro de uma certa faixa etária e parâmetros estéticos. Também tenho outro problema. Escrevo e faço música e jogo playstation, não necessariamente por esta ordem de importância. Quando vou a concertos de bandas assim assim, imagino sempre que volta é que eu dava aquilo para que o concerto fosse lendário. Imagino o Ziggy Stardust & The Spiders From Mars naquele contexto, ou os Stone Roses ou os Nirvana ou os Smiths ou os Kraftwerk ou os Sonic Youth, seja o que for, uma dessas bandas lendárias que há aí a dar com um pau. Imagino uma banda do mesmo "género" que o que estou a ver. E comparo mentalmente. Como calculam, é difícil eu sair satisfeito de um concerto, já vi muitos e bons. Já sou daqueles que só bate palmas se a merda da música for mesmo boa. Mas é assim que as coisas são. Quando vejo um tipo com uma guitarra a tocar e a cantar da forma como o Samuel Úria estava a cantar, a 1 metro do público numa sala pequena, intercalando músicas inesperadas, umas dramáticas, outras irónicas, covers improváveis etc, imagino imediatamente o Jeff Buckley, nas fantásticas gravações no Sin-é* sozinho com a Telecaster. O Jeff Buckley mergulhava muito fundo na actuação mais dramática e sentida possível e depois emergia com um sorriso e umas piadas de entertainer, como se aquilo não fosse nada, como um actor que está a contar uma piada quando dez segundos antes estava a fingir uma cena de sexo ou morte e depois é apenas um tipo porreiro e bem disposto na aparência, claro que sabemos que no fundo ele é as músicas que toca e não a pessoa que é nos intervalos. Estas minhas comparações também abordam as questões técnicas (canta bem? as músicas são bonitas? E as letras? E toca bem?). Cantar ao vivo só com voz e guitarra exige arcaboiço, os erros, limitações e os defeitos vêm todos à superfície, é cruel, a guitarra nem sequer fornece um pano macio e harmónico para a voz, ao contrário do piano. A guitarra acústica é um instrumento rudimentar e pequeno para encher o silêncio de uma sala. Também é preciso referir de novo que eu também faço música e escrevo e faço um milhão de coisas que não levo até ao fim, pelo que também exijo que quem leve as coisas até ao fim seja melhor do que eu imagino que eu seria a fazer aquela coisa até ao fim. Mas debaixo desta camada toda de autoconsciência esconde-se um coraçãozinho que derrete muito facilmente e não é assim tão raro curiosamente, porque há um número surpreendente de gente nova com talento, parece haver sempre, é preciso é escavar. E bastaram 20 segundos para eu dizer à Sofia «foda-se... isto é o Samuel Úria? Foda-se...» Na minha terminologia, um "foda-se" com reticências é o Evereste da aprovação, é o meu coração derretido. E fico brutalmente entusiasmado com isso e, de certa forma, sossegado, em paz, encontro qualquer coisa rara, a capacidade de maravilhamento. Percebo o meu lugar, o de espectador e vejo o fosso enorme entre um público e um artista. Ao meu lado, durante um dos falsetes acrobatas do Samuel Úria, ouvi um tipo comentar «isto é a sério ou é a gozar?» para o seu grupo de amigos. Qual é a diferença?

*nota, confundi as gravações do CBGB com o Sin-é (álbum live at sin-é) porque na gravação o Jeff Buckley faz uma piada sobre o CBGB. Para me redimir de um erro tão estúpido, fica aqui um video dos flight of the concords, ao vivo. Também tem guitarras acústicas.
Flight of the Conchords- Issues (Think About It)

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Deviam substituir as mensagens de ano novo do Presidente da República por isto

Afinal o Dying Animal do Philip Roth é muito bom, pronto.

estou confuso

Ainda me lembro do dia em que tomei a trágica decisão de ser do benfica. Tinha dois dias e 8 horas de idade. Estava numa incubadora numa maternidade belga, nos arredores de Bruxelas. Era o único bebé com alguma melanina e cabelo. À minha volta, apenas larvas belgas côr-de-rosa aos berros. Eu, calmo, reflectia sobre a condição humana e as decisões que tinha de tomar. Seria de esquerda ou dos maus? Seria canhoto ou igual aos outros todos? Seria heterossexual ou uma menina assustada? Seria honesto ou político? Sobre tudo reflecti com calma, pesando os prós e os contras de cada decisão. Mas temo que me tenha precipitado na decisão de ser do Benfica. Aos 7 anos, quando se tornou claro para os outros humanos que eu era do Benfica porque parti alguma mobília (uma cadeira e uma pequena mesinha de apoio) quando perdemos 1-3 com o Liverpool, o meu pai, que era do Benfica e que me ensinava todo o léxico associado ao futebol (filhos da puta não jogam nada, foda-se caralho como é que falhou este golo, cabrão do àrbitro etc.) disse-me com ar preocupado: «como é que foste ser do Benfica? eu nunca fiz nada para isso». Nunca fez, é verdade. Em muitos erros pedagógicos (como o dia em que fiz 8 anos e me ensinou a carregar a caçadeira e onde estavam os cartuchos) esse nunca foi um deles. Pelo contrário. O meu pai sempre fez um esforço para demonstrar distanciação face ao futebol, disfarçando muito mal o facto de ficar doente com as derrotas do Benfica. Mesmo as vitórias do Benfica pareciam apenas um esforço deste para mostrar ao meu pai que não era tão mau como ele pensava, como quando um aluno que chumba constantemente mostra ao pai que teve um 11 a Econometria 2 e lá se safou. Nunca me vou esquecer do glorioso 3-6 em Alvalade, em que o João Pinto marcou 3 golos. Eu não vi esse jogo porque o meu pai desligou a televisão e proibiu-me de ver o resto do jogo quando o Benfica estava a perder. Ouvi o resto na rádio. Nunca lhe perdoei isso. Dali para a frente o meu pai tornou-se o motivo pelo qual o Benfica perdia ou jogava mal. Eu estava a ver o jogo, o meu pai entrava na sala, olhava para a televisão, e o Benfica sofria um golo. E mal se ia embora, o Benfica marcava. Sempre. Talvez isto tenha acontecido apenas uma vez, mas para mim era sempre. Às tantas, acho que o convenci que era verdade, talvez ele próprio já desconfiasse disso. Aliás, estava o meu pai já moribundo e eu dizia-lhe "nunca te perdoarei não me teres deixado ver o golo do Isaías em que ele fez os corninhos depois" e ele "desculpa filho..." e eu "mas percebo... tentaste proteger-me... tu sabias pai..." etc. Parecia aquela cena do Magnolia. Se eu tivesse escolhido ser do FCP a vida era mais fácil. Teria uma pronúncia estúpida mas ouviria canções dos GNR sobre isso ao ponto de achar que era uma idiossincrasia interessante. Comia tripas e francesinhas ao pequeno almoço. O mundo seria um lugar muito mais simples e definido. Teria um retrato 2 em 1 na parede: Jorge Nuno Pinto da Costa a beijar a mão do Papa, ao lado de uma Nossa Senhora De Fátima de porcelana com um equipamento do FCP patrocínio Revigrés. Cada vez que fosse de viagem ao sul, rebentava com as estações de serviço. Pelo menos, com as casas de banho. No incêndio do Chiado, em vez de ficar triste e assustado (estava em Lisboa nesse dia), sacava de uma lira e trepava a um muro em ruínas, com as chamas em pano de fundo. Teria menos um motivo para antipatizar com o Francisco José Viegas e com aquele gordo dos texteis que aparecia na SIC naquele programa que tinha o Miguel Esteves Cardoso, a "noite da má língua". Seria mais amigo do Sporting e dos sportinguistas, porque não os via como rivais, mas sim como aqueles tipos simpáticos e educados, com defeitos na fala devido ao inbreeding característico dos betos. Teria um motivo real para ser sócio e ver jogos, em vez de racionalizar a enorme vantagem que é ter desconto de 6 cêntimos por litro na Repsol até final de Junho. Não precisaria dos outros clubes para ver jogos na champions. Não sentiria um misto de vergonha e humilhação por festejar um golo do Benfica a 2 minutos do fim contra o Manchester. Não sentiria porque o Benfica não estaria lá para o marcar. Estaria lá o meu Porto. Gostaria mais de azul do que de vermelho. Teria um bigode e uma mulher com bigode também e filhos com bigode e gatos e cães com bigode, e todos a ladrar e a miar com aquela pronúncia estúpida. Via o Redbull Air Race e votava no Rio Rio e espancaria pessoas da cultura que pusessem em causa aquela corrida de automóveis antigos, mas elogiaria muito a Casa da Música. Viveria numa cidade com cafés decentes e pedia cimbalinos e natas. E podia odiar o Benfica. Meu Deus. Este sim era o clímax de tudo. Poder odiar o Benfica em todo o seu esplendor. Poder gozar com o Benfica. Poder ver o Benfica como ele é realmente e não como a minha mente mutilada o vê. Poder dizer de consciência tranquila "talvez o Mantorras não valha 10 milhões" ou "é possível que o Benfica esteja a ser mal gerido" ou "este ano se calhar não ganhamos a champions". Poder rir-me do Benfica sem qualquer culpa. O Benfica dar-me-ia alegrias. Seria essa a grande diferença. Sim. Neste momento, está tudo ao contrário, tudo trocado, o que devia ser bom é mau e o que devia ser mau é bom. Estou confuso. Só sei que pelo menos não sou do Sporting.

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Segunda-feira, Abril 06, 2009

Ser arrumador sem abrigo e andar por aí na rua deve ser divertido nas primeiras semanas mas depois deve tornar-se tão aborrecido como outro emprego qualquer.

Mikhail Lermontov - Um herói do nosso tempo: 11/10

Nunca encontrei tão chapada num livro uma personagem com quem tivesse tanta afinidade como com este Petchórin de 1838. Não devo ser o único, a força e intemporalidade deste livro deverá residir aí. É um livro para jovens, personagem jovem que é um outsider numa sociedade cujas regras lhe são estranhas. Há quem resuma isso tudo num título, como o Estrangeiro, de Camus. Há toneladas de livros assim, todos com o seu jovem maluco e perseguido. O Crime e Castigo, outro. Lérmontov terá escrito que Petchorin "é um retrato composto dos defeitos de toda a nossa geração, em seu pleno desenvolvimento". O livro também tem um prefácio em que Lérmontov recusa qualquer lado biográfico no livro e também sugere este lado "moral" da coisa, o revelar dos tais defeitos de uma geração, distanciando-se a ele própria. Não valerá a pena, digo eu, psicanalizar o autor, o Nabokov também não gostavam que se deduzisse que as lolitas não lhe eram totalmente indiferentes. O certo é que o Lermontov morreu num duelo, replicando um bocadinho o que tinha escrito. O Lermontov também não devia ser lá muito querido da sociedade, foi preso, enviado para o Cáucaso. Eu teria tendência para ver ironia de Lérmontov nesta coisa do Pétchorin ser um exemplo de defeitos da sociedade, mas não sei... Os escritores russos eram tremendamente sinceros, estupidamente sinceros, faziam as coisas com uma intenção e criavam outras, coitados, eram presos e levavam porrada de todos os lados.

Ao contrário de Gogol, com o seu Tchitchikóv que é efectivamente uma personagem opaca (nunca compreendemos bem o vendedor de almas mortas porque ele próprio não tem consciência, ele próprio é oco), o Petchorin é profundamente sensível e pleno de auto-análise. Parece que o livro causou escândalo em 1840. Francamente, à luz de hoje, eu acho o Petchorin um tipo bestial. Não consigo sequer discernir que defeitos serão esses que Lérmontov e o pessoal em 1840 via. Acho-o tremendamente sincero e interessante e a prova é que ele atrai as pessoas. E está pleno de momentos de enorme honra, incompreendidos, como quando tenta ir ter com Vera e mata um cavalo de exaustão, quando diz à princesa que de facto não a ama e faz de propósito para ela o odiar, ou no duelo, quando dá hipóteses ao outro cretino (esse sim um ser asqueroso) de o matar. O único defeito de Pétchorin será um desprezo pela vida, uma distanciação irónica em relação a tudo, até a si próprio, o que lhe vale a incompreensão e o ódio das pessoas que a ele se tentam afeiçoar, não apenas as paixões, mas também os amigos, que não tem. É essencialmente um solitário sensível e inteligente. O toque sublime, em minha opinião, é ele ter consciência que mesmo esse seu estado é transitório e relativizado, compara a vida a um rio, que pode ser tumultuoso nos rápidos da nascente, mas antes de chegar ao mar acalma sempre. Percebe-se que isso lhe vai suceder. Ora, nos livros com personagens jovens, nunca existe esta consciência da transitoriedade, a juventude é quase sempre autista ou inconsciente. Uma juventude com consciência da velhice, assim é a de Pétchorin.

A propósito de velhice, estou a ler o Dying Animal de Philip Roth, precisamente sobre velhice e sexo. É interessante, é do nosso tempo, é muito competente, mas a escrita é um tanto ou quanto banal e vulgar. Não é por ter sexo explícito na literatura (já foi feito), ter frases citáveis fruto de um cinismo e pessimismo crus, que se pode considerar assim tão bom. Nada daquilo é novo e faltam-lhe dimensões, erros, imprevisibilidades. Tudo aquilo é compacto e competente, mas limitado.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

spiderman italiano

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Quinta-feira, Abril 02, 2009

playboy portuguesa, a desilusão


Pois é, pois é. A Playboy portuguesa é um péssimo exemplo de franchising oportunista, não alinhado com a marca. Falhado em toda a linha. Imperdoável quando a playboy brasileira tem um padrão de qualidade que eleva o próprio standard da mítica playboy americana original. A brasileira pega em actrizes famosas e despe-as. A playboy americana, ao invés, pega em americanas anónimas e torna-as famosas. A playboy portuguesa não faz nem uma coisa nem outra. Para ver cabelos a tapar mamilos de modelos chungosas e anónimas em bikini vou eu à praia com os binóculos da astronomia. Pronto, de facto, vêem-se maminhas na Playboy. Mas maminhas em abstracto não significam nada. É muito importante o contexto das maminhas, a envolvência das maminhas, a história das maminhas. Maminhas também se vêem nas reportagens de rastreios do cancro da mama, espalmadas naqueles vidros. E isso não é especialmente sexy. Para revistas de sexualidade duvidosa já temos a FHM, a GQ ou a Maxmen, revistas que consideram que uma sessão de fotos de modelos em fato de banho entre duas reportagens sobre a importância de hidratar a pele masculina e o segredo da sedução de George Clooney são coisas hetero. E não é só a brasileira com elevados padrões. Não quero entrar nas playboys recentes dos países de leste como a Hungria. Ainda recentemente, a Juliete Binoche posou nua na playboy francesa. Digamos que as playboys a sério colocam na capa uma fotografia de "aperitivo". Lá dentro, a rapariga da capa está nua. Nas revistas portuguesas a capa é a melhor foto do set. Por isso, não as comprem. Vejam as capas no quiosque, sempre podem fingir que estão a olhar para o Público ou o DN e poupem uns euros.
O jornal O Jogo (revista aqui ao lado) pelo menos é coerente e hetero. Podemos admitir que uma Paula Moura Pinheiro, uma Alexandra Lencastre, uma Catarina Furtado, uma Marisa Cruz, uma Joana Amaral, uma Teresa Salgueiro ou Sónia Araújo não estão prontas para posar totalmente nuas por apenas 50 mil ou até 100 mil euros. Podemos admitir que uma Elsa Raposo ou uma Luciana Abreu não posariam nem por 2 mil euros. Mas não era possível montar um sistema semelhante ao do financiamento da campanha de Obama? Podíamos dar donativos para atingir um determinado montante necessário para despir esta ou aquela portuguesa, como um leilão. Quando o montante fosse atingido, contactava-se essa mulher portuguesa com uma proposta irrecusável e a revista era publicada. Fica aqui a sugestão. Eu alinho com 40 euros para a Paula Moura Pinheiro num set em que ela esteja numa biblioteca de literatura russa com o Crime E Castigo a tapar um pouco da sua intimidade. De resto, mais vale ficar quieto e deixar o mítico nome "Playboy" em paz.
Ok, eu confesso que caí na mentira do CADIE da Google. Mas não caí na mentira de que a Paula Moura Pinheiro ia ser a capa da próxima Playboy, apesar de ser uma mentira em que eu estava muito disposto a acreditar.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

O HAL2001...

afinal chama-se CADIE, foi lançado hoje pela Google e gosta de pandas.

1 de Abril

Portugal ganhou um jogo a sério.

Terça-feira, Março 31, 2009

dia 9 de Abril, anotem na agenda

vou tatuar "Realismo Russo" no ombro

«Sermos a causa de sofrimentos e alegria para alguém, sem que para isso tenhamos qualquer direito - não será isso o primeiro sinal e o maior triunfo do poder? Ora,o que é a felicidade? É a satisfação do orgulho. Se eu me considerasse o melhor, o mais poderoso de todo o mundo, seria feliz; se toda gente gostasse de mim, eu encontraria em mim as fontes infinitas do amor.»
Lérmontov, O Herói do Nosso Tempo, Relógio D'Água, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra

Segunda-feira, Março 30, 2009

David Bowie-The Width Of A Circle (cut) - 1973

é verdade

«Não era uma beleza, longe disso, mas eu também tenho as minhas ideias preconcebidas sobre a beleza. Havia nela muita raça... e a raça, nas mulheres, tal como nos cavalos, é uma grande coisa. »
O Heroi do Nosso Tempo, Mikhail Lérmontov, tradução Filipe Guerra e Nina Guerra, edição Relógio D'Água
Portugal falha o apuramento para o Mundial. Temos uma selecção imatura, descaracterizada e que tem este rapaz aqui ao lado como capitão, herdando um papel que estava em Luís Figo, o que resume uma enorme desorientação naquele balneário. Ainda recentemente o CR7 disse "Se todos fizessem o que fiz, Portugal já era campeão do mundo" (in MaisFutebol) . É isto mesmo. Caso ninguém perceba, Cristiano faz-nos o desenho.

noutros casos, nem com um XXXXL

"o preservativo tem cabimento em certos casos" - D. Manuel Clemente, Bispo do Porto

Sábado, Março 28, 2009

"os raros eleitos"

reacções ao filme Tempos de Verão no Sapo Cinema.

#
Maria Rosa, a Sopeira
Eu cá gostei deste. Não se arma ao pingarelho mas é honesto. Não veio com lamechice mas tocou-me. (salvo seja que a Maria Rosa não gosta dessas confianças)
Comentário submetido em 2009-03-05 às 19:36:15

Teresa
Ás vezes pergunto-me por onde passeia a beleza e o cuidado nas palavras ... como é que é possível e de onde veio tanta insensibilidade para se escrever sobre cinema desta forma ... [NOTA: Está a referir-se ao comentário acima] mais vale o silêncio, que não fere nem magoa. É preciso alguma atenção no que se escreve. É preciso compreender se faz sentido escrevermos determinadas coisas. A educação ainda é um valor!
Comentário submetido em 2009-03-05 às 22:45:32

Pianola
Bravo, Teresa! Ainda bem que ainda há reacções a esta vulgaridade generalizada, quando não é baixeza reles, que o português de hoje tem orgulho em "afficher" (para os raros eleitos, que ainda sabem que existe uma língua lindíssima que é o francês... Os que não sabem também não me interessam). Mas quem assina "A Sopeira", lá sabe de si... não precisa saber do resto.
Comentário submetido em 2009-03-26 às 12:08:18

Sexta-feira, Março 27, 2009

Carlos Paião, pó de arroz e o meu tempo perdido

Para onde foste tu, meu portugalinho de infância? Esta música dá-me vontade de chorar e rodopiar pelo escritório de braços abertos a olhar para o tecto falso envolvido em ofícios esvoaçantes como as pétalas de malmequer que atirava ao vento à procura de respostas simples. E não, o Proust não tem nada a ver com a pesca de memórias no lago de amnésia para onde atiro todo o meu passado porque o meu passado faz-me doer, todo ele, o bom porque acabou e o mau porque foi mau.

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Capacidade de distrair depois de um dia cansativo e do Killzone 2
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 1, A la recherche du temps perdu - Proust 0

Efeito barbitúrico
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 1, A la recherche du temps perdu - Proust 1

Ausência de síndrome "acabei de ler 3 páginas mas não me lembro de absolutamente nada"
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 2, A la recherche du temps perdu - Proust 1

Efeito estético na biblioteca
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 2, A la recherche du temps perdu - Proust 2

Prestígio em duelos com pares intelectuais
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 2, A la recherche du temps perdu - Proust 3

Utilidade & influência como referência no estilo próprio
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 3, A la recherche du temps perdu - Proust 3

Arma de arremesso
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 3, A la recherche du temps perdu - Proust 4

Que pena, o livro está quase a acabar"
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 4, A la recherche du temps perdu - Proust 4

Foi a tua mãe que o ofereceu por isso tens de o ler
O Herói do Nosso Tempo, Lérmontov 4, A la recherche du temps perdu - Proust 10

(nota: inaugurei a tag "À procura do meu tempo perdido". Pelas minhas estimativas, ao ritmo actual, vou demorar cerca de 14 anos, 104 dias, duas horas e dezasseis minutos para ler os volumes todos do à la recherche du temps perdu. É provável que entretanto me case, seja pai, sobreviva a um enfarte do miocárdio e veja o Benfica ser campeão mais uma vez.

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twitter haters - não estamos sós

ela morre no fim

Há pessoas que são muito sensíveis a spoilers e mal começamos a falar de um filme ou livro começam a dizer «pára pára pára não contes!». E um tipo «não, mas eu só queria dizer que é interessante a forma como o realizador conseguiu adaptar bem o...» «cala-te cala-te lálálálá-não- estou-a-ouvir-nada-lálalálála» ... !? Eu desconfio que em muitos casos o problema é que acham aborrecido que se fale de coisas que ainda não viram, tout court ou então.... sou eu... sou eu... e depois nas minhas costas vão ler aquelas sinopses dos jornais críticos «viúvo veterano justiceiro impõe ordem em bairro de imigrantes chinos e é alvejado à queima roupa!»

Terça-feira, Março 24, 2009

wife area refuge

No Japão é muito frequente e hilariante encontrar todo o tipo de traduções assim. Permitem um vislumbre fugaz do que pode ser a cabeça de um japonês. É um pouco assustador. Muito mais no http://engrishfunny.com/

Segunda-feira, Março 23, 2009

Nirvana - Lithium, para o TD e o Diego

TD, lembras-te das longas tardes na "aldeia" com os amplificadores, pedais e guitarras fanhosas a bombar, a tentar atinar com isto? :) Nenhum de nós conseguia gritar assim.
como é que demos em consultores? :( Fizeste bem Diego, fizeste bem.

a la recherche du temps perdu


Ontem tive um meio colapso. Ando a arrastar-me nas páginas iniciais do A la recherche do temps perdu. Então não é que a minha mãe me oferece o 2º volume da edição de La Pleyade? Mais 1500 páginas. Eu pensava que era só aquele volume. Afinal há mais 2 daqueles. O 2º ainda é maior que o 1º. Não quero imaginar o tal 3º volume. A história até agora (Du cotê de chez Swan), pelo que percebi, é sobre um menino que quer um beijinho da mãe antes de ir domir mas o pai não gosta e a mãe tem medo da reacção do pai. Se isto não mete um machado e uma máscara de hóquei depressa, temo que não vá melhorar substancialmente nas próximas 5 mil páginas. Depois há um senhor, o Swan, que vai lá a casa. Ele é todo jet 7 mas a família burguesa do rapazinho não sabe e tratam-no com condescendência. Lembra-me uma situação que eu vivi em tempos, mas ao contrário, com um cão que adoptámos. Pensávamos que ele era de raça pura e costumava ficar sempre com a melhor comida e o melhor cestinho perto da lareira. Também o achávamos muito inteligente, fizesse o que fizesse («oh, roeu o Paul Auster todo, tem consciência crítica...»)Quando descobrimos que afinal era rafeiro, passou a dormir na rua, ao frio. O Proust escreve maravilhosamente mas o meu cérebro mutilado pela violência gráfica e argumento minimalista do Killzone 2 ("kill those motherfuckers, clear the bridge!") tem dificuldades em compreender subtilezas. Mas é por isso mesmo que tenho a intenção de ler o Proust todo, trabalhar os pontos fracos. Isso e os headshots. Duvido muito que haja um único tipo a jogar killzone 2 a citar Proust em francês pelo auricular bluetooth só para irritar a equipa adversária. Espero que seja a adversária. Ontem alguns da minha equipa começaram a disparar contra mim.

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Quique

Cada vez me rendo mais à evidência que o Quique Flores não é grande espingarda. O que me preocupa é com o tempo que ele já tem com aquele plantel, não se vêem melhorias, só experiências falhadas, jogo após jogo. Não há um esquema táctico. Há jogadores que não jogam, não se percebe porquê (Cardozo, Yedba). Outros andam o jogo todo em zonas esquisitas -é normal David Luiz estar constantemente envolvido em jogadas de ataque pelos flancos e a equipa estar constantemente descompensada nos contra-ataques? Cada nova substituição surpreende, quer pelo tempo tardio em que é feita, quer pela escolha de jogadores não rotinados.

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Sexta-feira, Março 20, 2009

Diário do agente secreto do Vaticano #2

Estive duas horas a tentar vestir o disfarce de turista homossexual . O top não me serve, pareço uma linguiça fluorescente. E não gosto muito da cor. Já pedi à base que me enviem outro asap. Entretanto, parece que o meu contacto na mansão de Tequila Gorila estará no Chiado amanhã, vestido de membro do Bloco de Esquerda. O meu estômago contorce-se com dores do galão que bebi hoje. Tenho o inferno na barriga, almas penadas a contorcerem-se-me nas tripas. Leio o Correio da Manhã jornal de hoje. É o meu jornal preferido. A decadência impressa. A tinta pegajosa a cheirar a sangue e vómito de vítimas de crimes hediondos. O descontentamento no plantel do Sporting. Uma polémica a propósito dos bispos readmitidos nas nossas fileiras, porque negam a dimensão do “holocausto”. Um coro de virgens ofendidas, manipuladas pelo lobby da comunicação social, insurge-se. O holocausto não existiu. Estive envolvido nas investigações K44 que analisaram os “campos de concentração”. Ou foi a K43? Não, a K43 foi a que provou as aparições de Fátima… Ou essa foi a K22? Não interessa. Concluímos que o problema foi o naming infeliz. Os campos de concentração eram, como o nome indica, campus universitários desenvolvidos para melhorar a concentração dos estudantes judeus de todas as idades. Numa tentativa de os reabilitar, fez-se uma iniciativa semelhante às Novas Oportunidades (curiosamente, a 2ª opção de naming). À entrada de Treblinca podia-se ler “No trabalho a salvação”, aquele que ainda hoje é um dos meus lemas. É verdade que houve excessos de zelo e disciplina, inerentes à pouca pedagogia que se conhecia na época. Os fuzilamentos – que os houve – eram frequentes e desproporcionais face aos parâmetros de hoje. Mas esquecem-se que foram feitos em tempo de guerra, o mundo estava em turbilhão, imensa coisa acontecia ao mesmo tempo, os comunistas ameaçavam a ordem mundial, andava toda a gente com os ânimos um pouco exaltados. Dentro dos campos, os judeus ao menos eram protegidos. Os soldados alemães morriam na frente de leste, para os proteger da terrível ameaça que soprava do frio. Dentro dos campos de concentração, não era a rebaldaria que é hoje, em que estudantes apontam armas a professores ou os surram e insultam por causa de um telemóvel. Em Birkenau e Aushwitz não se brincava ao aluno birrento. Não havia pedofilia, nem sms, nem a Tatiana a acariciar o Carlos na carteira mesmo ao lado da minha, nem bombinhas de carnaval ou zaragatas por toma lá dá cá aquela palha. Eram metidos na ordem e aprendiam ofícios úteis, como canalizador, homem do gás, cavador de valas, maqueiro etc. Se o Sporting quiser realmente reabilitar aquele plantel, talvez se possa inspirar nisto para uma nova academia de alcochete. Mas com tanto luxo (li no Record que até mesas de snooker têm vejam só!), como podem render em campo? Quanto às “câmaras de gás”, houve de factos judeus mortos nelas (7 ao todo) num infeliz acidente, um erro idiota dos formandos judeus encarregues da canalização de Auschwitz. Mas ninguém fala, por exemplo, na comida toda que se estragou quando jorrou água dos bicos dos fogões da cantina. Essa é que é essa.

Na TV, o Preço Certo. Um obeso simbolisa o capitalismo. A plebe grita preços em delírio. O consumismo tomou conta das nossas vidas. Vivemos momentos tenebrosos.


Agente especial 666

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Alice in Chains - Would

redescobri esta música dos Alice in Chains há poucas semanas na banda sonora do Burnout Paradise para a Ps3. Na altura (93? 94?) não gostava deles, apesar de serem uma das bandas de heavy-metal mais interessantes. Hoje, esta é uma das minhas músicas de despiste de automóvel preferidas. Bom fim de semana e bons acidentes.

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O Henrique terminou com o Insónia. Uma perda de peso.

E isto começa a ficar cada vez mais silencioso ou a dar sinais de cansaço, com felizes excepções, e refiro-me aos meus blogues de hábitos, evidentemente, porque há centenas de bons blogues que não conheço e estão a começar ou em plena força ou então nunca fizeram parte dos meus hábitos, o que está longe de querer dizer que fossem maus. Eu podia mudar os meus hábitos. Mas também começo a sentir, eu próprio, um cansaço, amplo, que engloba a Internet em geral (dos blogues aos jogos on-line na playstation network), ando com vontade de fazer um shutdown, simplificar ou fazer um downsize, ler mais livros em papel

aviso

Não vou mudar para o twitter.
E eu não me importo que vocês se divirtam com o twittie uns dos outros.
Parece ser divertido. Mas se as minhas visitas começarem a cair e calha eu desconfiar que está tudo em debandada (bloggers e leitores) para o twitter, tirarei as devidas ilações.

Quarta-feira, Março 18, 2009

Diário do agente secreto do Vaticano #1

«Agente 666 – A sua missão, caso a aceite, é inflitrar-se no reduto das organizações lésbicas a homossexuais portuguesas, a Vade Rectum, a organização secreta que controla todas as organizações homossexuais de aparência legal e recolher informações sobre as actividades aí desenvolvidas, identificando o perigoso líder oculto, chamado Mark Lewis mas conhecido como “Tequila Gorila”, um homossexual americano de 81 anos, especialista em artes marciais e cozinha vegetariana, que trouxe para Portugal a doença da homossexualidade - a SIDA - em Maio de 1974. É guardado por um clã de lésbicas ninjas muito perigosas. Junto encontrará uma foto do mesmo na juventude, alterada digitalmente pelo nosso laboratório para lhe dar a aparência que pode ter hoje em dia.»

A foto alterada digitalmente para me dar uma estimativa de Tequila Gorila envelhecido mostra-me um jovem jogador de ténis. Na zona por cima da cabeça está colada a imagem de uma cabeleira branca semelhante à de Beethoven. A zona do que seria um bigode, foi apagada. Há uma bengala na mão erguida, e uma bola de ténis a voar em direcção à bengala. Será fácil reconhecê-lo.

«Este homem é o cérebro por detrás das campanhas que visam corromper a juventude heterossexual para os caminhos da depravação e perdição, pondo fim à espécie humana pela ausência de reprodução, bem como pela disseminação da SIDA, a crise financeira e a recente moda das unhas pintadas em homens supostamente hetero, como o Beckham e o Príncipe Harry. É necessário salvar a humanidade. Dentro da pasta encontrará um kit de disfarce especial, cinco rações de óstias, um mapa da mansão de Tequila Gorila e dois aparelhos que o nosso laboratório do Vaticano desenvolveu: um crucifixo radioactivo que brilha na presença de homossexuais e/ou comunistas e uma prática escova de dentes eléctrica de viagem com um pequeno reservatório para pasta de dentes, para evitar cáries e a perigosa formação de tártaro. Esta mensagem autodestruir-se-á em 10 segundos *
Que Deus esteja consigo.


*Queira fazer o favor de contar mentalmente até 10 e rasgar o papel. Depois do acidente na Austrália com o agente 344 deixámos de usar o papel inflamável».

Hoje foi mais um dia, mais uma noite num hotel. Deus , ajudai-me. Esta cidade está corrompida. Afoga-se no sangue dos inocentes. Toxicodependentes, prostitutas, políticos, polícias, casais de namorados aos beijos em pleno dia sonhando com abortos nos intervalos da fornicação com preservativo, assaltos a joalharias, tortura, terrorismo e pobreza. Lá fora a chuva ácida cai e não consegue lavar esta cidade conspurcada. As luzes dos carros brilham na 2ª circular como olhos de uma centopeia infernal. Estou mal da barriga, começo a desconfiar que sou intolerante à lactose. O meu telemóvel quase não tem bateria e não trouxe o carregador. A missão que tenho não é fácil. Vou estudar o mapa da mansão.

A mansão da Vade Rectum está protegida por um muro untado com vaselina. Seria difícil trepá-lo. Existem torres de vigia no topo sul e norte, com poderosos holofotes que varrem o perímetro ao som de uma colectânea de música latina. Guardas dançam salsa, dois a dois, na patrulha nos jardins, parando ocasionalmente nos arbustos por perto. Podia aproveitar esses momentos para me infiltrar. Mas mesmo que conseguisse, lá dentro há matilhas de caniches e poodles à solta. Para não falar das lésbicas ninja. Serão um mito? Terei de usar o disfarce de turista homossexual que o Vaticano criou. Calções de licra justos, perfume, sandálias havianas, pulseiras, verniz rosa, uma malinha de mão da D&G e um top amarelo que me descobre o umbigo e com “I AM A GAY PERSON” estampado em letras verdes. Deus, ajudai-me e dai-me forças para enfrentar o perigo. Faço zapping pela Tv. Canais pornográficos codificados que mal se conseguem ver pela estática artificial que faz um efeito de elevador na imagem e passado meia hora estamos com os olhos a arder e dores de cabeça. A não ser que se pague ao hotel. Infelizmente, consegue-se ouvir tudo e o Demónio faz-nos imaginar o resto. A pobre mulher explorada por trás pela frente por homens corpulentos. Os gemidos. Os gemidos que são pedidos de ajuda. Não a posso ajudar. Sou apenas um homem na Terra. A minha missão é outra. É ir ao coração das trevas. Tequila Gorila.
Tentei dormir um bocadinho. O crucifixo radioactivo que me deram ou está avariado ou este hotel está cheio de paneleiros e comunistas. Tive de o colocar dentro de uma gaveta para o brilho não me incomodar.

Agente especial 666

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eu identifico-me com o Boris Vian

Sesame Street - Ernie Sings Happy Birthday to U

Segunda-feira, Março 16, 2009

o vazio

As crónicas do António Lobo Antunes têm uma coisa extraordinária, entre várias coisas extraordinárias. As pessoas memorizam crónicas em particular (o tema) e dizem, no meio de conversas «o Lobo Antunes escreve uma vez uma crónica sobre isso». Eu nunca me esqueci de uma em que ele escreveu que uma das coisas mais absurdas na vida era o vazio que as pessoas que morriam deixavam, uma espécie de buraco (cito de memória) impossível de preencher. O meu pai teria feito anos ontem (eu faço amanhã). É muito estranho. Em grande medida, sinto que tanto eu como a minha mãe flutuamos à superfície de uma rotina, de coisas mais imediatas. Não gostamos de falar nisso porque ficamos tristes. Penso que a generalidade das pessoas é assim face aos buracos que vão tendo na vida e isso permite um estado de loucura em que conseguem ser normais, felizes, rir, brincar, trabalhar, como se o mundo não estivesse cheio de buracos enormes, inexplicáveis. Qualquer pessoa com o mínimo de equilíbrio consegue andar em cima de uma linha branca com cerca de 20 cm de largura, pintada no chão, como o traço contínuo da berma de uma estrada. Não se desequilibra. Mas se em vez de estrada de alcatrão, o traço fosse uma viga de betão de 20 cm de largura sobre um precipício enorme, quase nenhum de nós conseguiria ter coragem para o atravessar, com medo de se desequilibrar. O Nús e os Mortos de Norman Mailer tem uma cena assim. Um pequeno pelotão tem de saltar por cima de um precipício numa falésia. O salto é curto, mas a berma é pequena e a queda é enorme. A personagem pessimista, o desgraçado de um judeu depressivo, salta sem convicção nenhuma e grita de raiva enquanto cai durante uma eternidade, perante o olhar atónito do companheiro do outro lado, de mão estendida num vago reflexo para o agarrar. O interessante é que o leitor se identifica mais com o tipo que está a cair no precipício do que com o soldado que saltou com sucesso.

Sábado, Março 14, 2009

gosto das coisas pela superfície ._.

Ok, o melhor crítico de rock do mundo, o Stephen Thomas Erlewine do All Music Guide, esmaga os The View com um 2,5 em 5. «it all sounds good enough of the surface but dig a little deeper and there's not much there, just overly stylized recycling and fuzzy songs»

Sexta-feira, Março 13, 2009

The View

epá, ou muito me engano ou isto é do melhor...

The View - temptation dice


música ideal para uma Sexta feira! 13 :D

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